Médicos brasileiros criam respirador artificial e vão ceder gratuitamente projeto para impressão em 3D.

Dr Luiz Fernando Michaelis

Dr. Luiz Fernando Michaelis, um dos idealizadores do Projeto, conta sobre como funciona a start up Hefesto e o Projeto Breath4Life

Liane Gotlib Zaidler
Especial para a Câmara Brasil-Israel

Formado pela  Faculdade de Medicina do ABC, o Dr. Luiz Fernando Michaelis é CEO da startup Hefesto Medcare, que surgiu com a proposta de desenvolver e aprimorar tecnologias na área médica. Ele  também está à frente do  Projeto Breath4Life,  que diante das epidemias da Covid 19 e SARS, desenvolveu um ventilador mecânico para o auxílio no transporte e uso em beira-leito de pacientes em enfrentamento das pandemias, de baixo custo e de fácil replicação em impressora 3D.

Conte-me brevemente sobre sua trajetória profissional.

Após a graduação, passei um ano no exército em serviço obrigatório para médicos. Depois realizei minha residência de Ortopedia e Traumatologia na Faculdade de Medicina do ABC, concluída em 2015 e decidi me especializar em Oncologia Ortopédica. Após um ano cursando fellowship de Oncologia Ortopédica no IOT-HCFMUSP / ICESP, no final do ano de 2016, entendi que o que queria da minha carreira era desenvolver tecnologia na minha área de atuação médica e saí do fellow para trilhar o caminho da Inovação. Em todo esse período trabalhei em Pronto Atendimentos Ortopédicos, tanto do sistema público quanto do Sistema privado, e ainda continuo atuando como Ortopedista.

Em 2017, já com a Hefesto constituída, iniciamos o projeto de criação tecnológica de nosso produto em conjunto com engenheiros e publicamos nossa primeira patente. No ano seguinte participei do curso Stanford Biodesign @ Einstein, ministrado pelos professores de Stanford aqui no Brasil. Em 2020 vou concluir o Programa de Empreendedorismo e Inovação do Hospital Israelita Albert Einstein.

Como surgiu a Hefesto Healthcare? 

Após decidir sair do fellow de Oncologia Ortopédica e partir para o desenvolvimento tecnológico foi difícil, de início, entender o cenário da Inovação no Brasil. Após algumas conversas com  pessoas do setor de saúde, achei que a trajetória seria curta e eu não teria sucesso. Porém, em Janeiro de 2017, marquei um café com um colega ortopedista que não conhecia até o momento, o Dr. Ney Peres, para discutir minha carreira. Ao final dessa conversa nos tornamos sócios no projeto que daria origem a Hefesto. Descobrimos que ambos eram fascinados em inovação e tecnologia e partimos na jornada que nos trouxe até aqui. Em Outubro do mesmo ano publicamos nossa patente.

Como funciona a tecnologia desenvolvida pela Hefesto?Respirador

Estamos em fase de desenvolvimento do nosso produto, que consiste de uma órtese customizada por impressão 3D para substituir o gesso ortopédico. Isso ocorrerá através de um aplicativo de telefone celular, o que permite que o médico faça o pedido de qualquer lugar e o paciente receba aonde for possível e conveniente. O médico também poderá acompanhar o paciente através do aplicativo para avaliar sua evolução.

E o projeto Breath4Life? Como surgiu?

O Breath4Life Project surgiu de uma conversa entre meu sócio, o Dr. Ney Peres e o Dr. Diógenes Silva, CEO da Anestech. Após uma mensagem do Diretor de Inovação no grupo falando sobre ideias de ventiladores mecânicos por impressão 3D e uma análise técnica inicial, resolvemos avançar com o Projeto do Takaoka Mini Ventilador M600, devido a viabilidade em executar e a capacidade de poder ajudar a sociedade em um momento de tanta necessidade.

Como as pessoas e empresas podem apoiar o projeto? 

Temos um site do projeto, o www.breath4lifeproject.com, lá as pessoas podem se inscrever como apoiadores ou podem demonstrar interesse no produto ou colaborar de outras maneiras como disponibilizar  impressoras 3D ou testar o produto. Como um projeto de inovação aberta, queremos que as pessoas entrem lá e colaborem com a evolução do produto dando ideias. No caso das empresas, podem ajudar com a cessão de fábricas para produção de dispositivos médicos ou investindo em empresas menores, como startups, que estão tentando ajudar e produzir algo em prol de amenizar os efeitos dessa crise do sistema de saúde que vemos com o COVID-19.

 Vocês compartilham o espaço com outras startups dentro da Eretz.bio? Como está sendo essa experiência? 

A Eretz.bio é uma incubadora de startups, portanto temos várias startups vizinhas, que compartilham o espaço como em um co-working.

A experiência de estar incubado em um hub de inovação em saúde tem um valor inestimável do ponto de vista intelectual. Estar no meio de pessoas que pensam de modo inovador é libertador para quem procura fazer tecnologia. Lá temos bastante gente com experiência, seja em startups já em funcionamento ou em fase de tração, então conseguimos entender o que nos espera no futuro e as diferentes fases de evolução de uma startup, especialmente quando já se tem um produto no mercado, clientes para adquirir e manter. Muita gente pensa na startup como uma empresa especial, mas no final das contas a startup tem funcionários, fornecedores e contas a pagar. A incubadora nos faz lembrar disso.

Como o setor privado pode contribuir para solucionar um problema tão grande quanto ao que estamos passando por conta do Coronavírus?     

A iniciativa privada também é o povo e deve tentar auxiliar em momentos como esse. Ter relação com o período e entender o que você pode fazer pra ajudar faz parte de ter humanidade.

Então, o setor privado pode ajudar com recurso, seja financeiro ou material: produzir máscaras, fazer doações ou compra de equipamentos, abrir parte do parque fabril para a produção de ventiladores e EPIs. Existem várias maneiras de ajudar.

Algo que gostaria de acrescentar?

Gostaria de agradecer a oportunidade de poder compartilhar ideias e apresentar o projeto do Breath4Life. Tenho muito carinho pela iniciativa por agregar tanta gente boa que resolveu se unir para produzir algo útil diante do momento que vivemos.

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