Blocos de concreto bio-reforçado preservam orla marítima

Em Israel, a bióloga-marinha Shimrit Perkol-Finkel juntou-se ao especialista em engenharia verde, Ido Sella, para criar blocos pré-fabricados de concreto que ajudam a conter o avanço do mar sobre orlas de regiões urbanizadas. Eles criaram um material diferente do convencional. Conseguiram um concreto com baixo teor de carbono que, moldado em fôrmas especiais, mimetiza as pedras das costas rochosas, o que facilita a colonização de algas, corais, crustáceos e peixes. A invenção foi batizada de concreto bio-reforçado e em 2019 a revista norte-americana Time colocou a criação israelense entre as 100 melhores invenções do ano.

O produto também recebeu os prêmios Global Biomimicry Design e Beyond Bauhaus -prototyping the future, pelo excelente desempenho ecológico e estrutural. Segundo Shimrit Perkol-Finkel, as peças podem atender projetos de quebra-mares, diques ou paredões. “Os elementos são produzidos para estabilizar a construção em áreas costeiras. Eles ajudam a controlar a erosão e protegem dutos e cabos submersos. O objetivo é formar paredões ecológicos com unidades modulares pré-moldadas esculpidas e personalizáveis de acordo com os padrões de cada região litorânea”, explica a bióloga. O concreto bio-reforçado já está presente em obras na Europa, Ásia e Estados Unidos.

O que diferencia o material é o aditivo desenvolvido e patenteado pela startup do engenheiro Ido Sella e de Shimrit Perkol-Finkel: a ECOncrete Tech. O produto químico é biológico e ajuda a reduzir o risco de ataques de cloretos e outras patologias às estruturas que ficam submersas. Também possibilita uma economia média de 10% de cimento, reduzindo a pegada de carbono das peças pré-fabricadas. A dosagem do aditivo depende de características como salinidade, temperatura média da água e pH. “A composição do concreto é cuidadosamente adaptada a cada projeto, o que influencia também na dosagem do aditivo”, revela Ido Sella.

Projeto busca recuperar o bioma da baía de San Diego, na Califórnia-EUA

Recentemente, a startup fundada em 2012, na cidade israelense de Tel Aviv, recebeu um aporte financeiro de 5 milhões de dólares. Os recursos serão utilizados no desenvolvimento do concreto bio-reforçado. “É hora de fazer uma mudança e definir novos padrões ambientais para a construção costeira e marinha. Não queremos interromper o progresso, mas queremos progredir de uma maneira que permita que a vida marinha prospere, usando soluções baseadas na natureza e na engenharia ecológica”, define Shimrit Perkol-Finkel, que em 2019 também ganhou o prêmio Mulheres Inovadoras da União Europeia.

Atualmente, o empreendimento mais importante envolvendo os artefatos da ECOncrete está na baía de San Diego, na Califórnia-EUA. A incubadora de economia azul – termo relacionado à preservação do meio ambiente marinho – do porto de San Diego contratou a empresa israelense para criar uma área de quebra-mares que possa restaurar o ecossistema local, melhorar a qualidade da água do mar na região e permitir um monitoramento ambiental mais abrangente. O contrato foi assinado em julho de 2019 e encontra-se na fase de elaboração do projeto, com atraso causado pela pandemia de COVID-19 nos Estados Unidos.

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