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Lula anuncia aprovação do Tratado do Mercosul com Israel




O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva teve o prazer de anunciar hoje ao presidente israelense Shimon Peres que o Brasil já deu a sua aprovação final para o Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Bloco do Mercosul, que entrará em vigor no dia 4 de abril deste ano. Israel é o primeiro país fora da América do Sul a assinar um acordo de livre comércio com o bloco.

Peres e Lula abriram uma conferência econômica, com a presença de centenas de líderes de empresas israelenses e brasileiras. Os presidentes foram acompanhados pelo ministro israelense da Indústria, Comércio e Trabalho, Sr. Binyamin Ben-Eliezer, o presidente israelense da Associação dos Fabricantes, Sr. Shraga Brosh, o presidente brasileiro de FIESP, Sr. Paulo Skaf, e o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

Peres, agradeceu ao presidente Lula pessoalmente por trabalhar para o Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul: "Apesar de Israel e Brasil estarem distantes um do outro geograficamente, podemos crescer através desta estreita cooperação econômica e científica. O Brasil tem uma economia forte e estável, e estamos dispostos e felizes por cooperar com você em todos os setores, incluindo a ciência, defesa, agricultura de alta tecnologia, e tecnologias espaciais avançadas".

O presidente da FIESP, Paulo Skaf, disse que "a visita do Presidente Peres, o Brasil deu um grande impulso para as relações econômicas entre Israel e Brasil. Um grupo de trabalho conjunto foi estabelecido entre os países para avançar e implementar o acordo do Mercosul. Ambos declararam a sua intenção de triplicar o seu volume de comércio".

O presidente Lula afirmou que esta é uma visita muito importante. "Esperamos que o progresso econômico e os laços comerciais entre Israel e Brasil aumentem significativamente, como tem acontecido nos últimos anos", disse o presidente brasileiro.

Lula falou também aos empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o PAC, a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

Lula disse ainda que o Brasil vai, "certamente" criar dois milhões de empregos em 2010 e que a economia vai crescer mais de 5% neste ano.

"Com a assinatura do tratado, a Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria vê coroados os seus esforços. Quando estes tratados entram em vigor, há um enorme incremento nas relações comerciais, culturais, políticas e turísticas dos países signatários. Além disso, é importante reforçar que a paz também se faz através das relações comerciais” destacou Jayme Blay, presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria.

Acordo Israel Mercosul - eng.pdf

Acordo Israel Mercosul - port.pdf



Acordo com Israel melhora competitividade

O acordo de livre comércio entre Israel e o bloco do Mercado Comum do Sul (Mercosul) deve entrar em vigor em 4 de abri. Com o acordo, é aplicado um cronograma de redução gradual de alíquotas para uma lista de produtos determinados. O comércio entre os dois países deve ter alíquotas reduzidas num período de até dez anos. A lista é diferenciada para cada um dos integrantes do Mercosul.

Segundo Jayme Blay, presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, a expectativa é que o acordo triplique a corrente de comércio entre Brasil e Israel em cinco anos. Ele não tem, porém, estimativa sobre a elevação de exportação do Brasil para Israel.

Atualmente a balança comercial entre os dois países tem déficit para o Brasil. No ano passado o saldo foi negativo em US$ 380,89 milhões, dentro de uma corrente de comércio de US$ 921,9 milhões. Entre os itens mais importantes que o Brasil compra de Israel estão produtos químicos, medicamentos, componentes elétricos e outros equipamentos. O Brasil vende para Israel predominantemente produtos agropecuários, como carnes, soja e açúcar.

Pelo acordo, alguns itens contarão com redução imediata no imposto de importação cobrado por Israel. Segundo Blay, serão beneficiados dessa forma produtos das categorias de plásticos, borrachas, metal leve, produtos químicos, têxteis e mobiliários.

Atualmente, diz Blay, União Europeia, Estados Unidos e China estão entre os maiores fornecedores de Israel. Para ele, o acordo dará ao Brasil maior competitividade em relação à China para itens como plásticos e têxteis. Em relação à União Europeia, os móveis são itens que poderão ganhar papel mais importante nas exportações brasileiras.

Do lado de Israel, acredita Blay, há grande oportunidade de contribuição e parceria em setores de tecnologia, como semicondutores, e de medicamentos. (MW)



Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel

O Mercosul e Israel assinaram hoje, 18 de dezembro, em Montevidéu, Acordo de Livre Comércio (ALC), finalizando processo de negociações iniciado em 2005.

O Acordo com Israel é o primeiro acordo de livre comércio do Mercosul com parceiro extra regional. Sua conclusão, além de promover oportunidades comerciais concretas, reafirma, também fora da América do Sul, o interesse do Mercosul em negociar acordos comerciais ambiciosos.

O ALC com Israel é parte do empenho do Mercosul em ampliar entendimentos com parceiros no Oriente Médio. Está em curso a negociação de ALC com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Bareine, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã). O Mercosul tenciona, ademais, iniciar negociações com o Marrocos em 2008.

Na negociação do ALC com Israel, o Mercosul atuou de forma coordenada com vistas a obter condições de acesso ainda mais vantajosas para as economias menores do agrupamento, o que demonstra ser a agenda extra-regional do Mercosul, também, instrumento para o tratamento da questão das assimetrias no bloco.

O Governo brasileiro faz registro da atuação eficiente da presidência pro tempore uruguaia do Mercosul, neste semestre final das negociações com Israel, a qual muito contribuiu para o resultado alcançado.


Fonte: Valor On Line - São Paulo 22/03/2010




Informações Complementares

- O Acordo de Livre Comércio centra-se no intercâmbio de bens, assim como as outras negociações bilaterais ou regionais conduzidas pelo Mercosul com parceiros desenvolvidos. Trata se de um acordo de abertura de mercados para bens, com cláusula evolutiva sobre a possibilidade de entendimentos, no futuro, sobre acesso a mercados em serviços e investimentos.

- O Acordo cobre os seguintes temas: comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, cooperação em normas sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira.

- Israel teve, em 2006, PIB de US$ 140 bilhões. Nesse mesmo ano, suas exportações foram de US$ 44 bilhões e as importações, de US$ 47 bilhões. Os principais parceiros de exportação de Israel são os Estados Unidos, a Bélgica e Hong Kong; os de importação, os Estados Unidos, a Bélgica e a Alemanha.

- Israel possui acordos de livre comércio com Estados Unidos, União Européia, México, Canadá e AELC. Com o Acordo de Livre Comércio com Israel, os exportadores de países do Mercosul passam a se beneficiar das mesmas condições de acesso àquele mercado já usufruído pelos países e regiões mencionados.

- O Acordo tem cestas nas seguintes categorias: A (desgravação imediata), B (quatro anos), C (oito anos), D (dez anos) e E (quotas ou margens de preferência). A oferta israelense para o Mercosul nas cestas A a D cobre 95% do total das exportações brasileiras (sendo que Israel ofertou, na cesta A, 75% de suas linhas tarifárias). A oferta do Mercosul para Israel nas cestas A a D cobre 92% do volume importado pelo Brasil daquele país (sendo que o Mercosul ofertou 35% de suas linhas tarifárias na cesta C, 27% na D e 24% na A).

- Em 2006, o intercâmbio bilateral Brasil-Israel chegou a US$ 745 milhões, com exportações brasileiras de US$ 271 milhões (52% das exportações do Mercosul) e importações brasileiras de US$ 473 milhões (84% das importações do Mercosul). Em 2006, os principais produtos exportados pelo Brasil foram carne bovina congelada (25% do total), tubos de cobre (7,95%), MTBE, um aditivo de gasolina,  (5,6%), suco de laranja congelado (4,6%) e grãos de soja (4,2%). As principais importações provenientes de Israel foram de fertilizantes e agroquímicos.

 

 

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