Israel quer triplicar comércio com o Brasil, segundo chefe de missão econômica israelense no País

Negócios 04 Jun 2013
Israel quer triplicar comércio com o Brasil, segundo chefe de missão econômica israelense no País

28/06/2012

Desde a visita do presidente Lula a Israel, em 2007, o país tem como meta triplicar o comércio com o Brasil até 2014. Nessa época, começaram as negociações do acordo de livre comércio de Israel com o Mercosul, que entrou em vigor gradualmente a partir de 2010.

A negociação foi com o bloco, mas o principal interesse está no Brasil, o país mais importante da América Latina para o comércio exterior israelense, como define o chefe de missão econômica israelense no Brasil, Roy Nir. Ele avalia que ambos os países têm uma pauta de produtos complementares e que a relação comercial bilateral pode ir muito além.

Roy NirPelos dados do Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho de Israel, as exportações de Israel para o Mercosul aumentaram 35% entre 2009 e 2011, chegando a bater na casa de US$ 1,7 bilhão, número menor somente do que o pico de 2008, de US$ 1,9 bi.

Em 2011, diz Nir, mais de 700 empresas israelenses exportaram para o Brasil, um crescimento de 37% na comparação com o número verificado em 2007. Mas o interesse do Brasil por Israel não tem sido proporcional. Isso por “desconhecimento do mercado israelense, que é pequeno, mas rico”. Os 8 milhões de habitantes possuem uma renda per capita média de US$ 30,2 mil.

 

Como olhar para o comércio entre Brasil e Israel, tendo em vista que Israel exporta para o Brasil muito mais do que importa?

Roy Nir: É um fluxo importante em que quase não há barreiras comerciais. Essa questão de Israel exportar para o Brasil muito mais do que as empresas brasileiras exportam para os israelenses é mais uma questão de conhecimento, não de barreiras. Os israelenses conhecem muito bem o Brasil e muitas empresas de lá querem exportar para cá. No Brasil, por sua vez, ainda não há tanto conhecimento sobre o mercado israelense, e os exportadores [brasileiros] preferem mandar seus produtos para outros mercados do que mandar para Israel, que tem um mercado pequeno, de 8 milhões de pessoas, mas com uma renda per capita muito alta, de quase US$ 30,2 mil. Além disso, por sermos pequenos, importamos quase tudo, em quase todos os setores. Isso é o que torna nosso mercado interessante. Creio que o exportador brasileiro não entendeu o potencial desse mercado. É um mercado pequeno, mas muito rico. O comércio com o Brasil tem muito potencial porque hoje gira na casa de US$ 1 bilhão de exportação israelense [para o Mercosul], dentro de US$ 63 bilhões de exportações que fazemos ao mundo. O que estamos tentando é trazer o conhecimento do nosso mercado ao exportador brasileiro.

 

Como fazer com que as empresas conheçam melhor a economia israelense?

Roy Nir: É preciso apoio entre nós e o governo brasileiro, com a realização de seminários de divulgação. Em Israel, o governo divulga o mercado daqui para ajudar as empresas exportadoras a entrarem no Brasil. Vale a pena fazer o caminho contrário. O importante é incentivar a exportação brasileira a Israel. Entre 2010 e 2011, quando o acordo [de livre-comércio entre o Mercosul e Israel] entrou em vigor, as exportações passaram a entrar no mercado israelense com alíquota quase zero, mas não vimos o contrário acontecer porque o exportador israelense não goza de todos os efeitos do acordo.

 

Quais os atrativos para os exportadores brasileiros?

Roy Nir: Israel tem uma rede de acordos de livre-comércio com muitos países do mundo, inclusive com a União Europeia e os Estados Unidos. O Brasil ainda não tem uma rede tão ampla. Uma das saídas é o empresário brasileiro construir fábricas conjuntas com companhias israelenses, em Israel, para produzir com insumo brasileiro e exportar a partir das regras de origem dos nossos parceiros com ganhos para os dois países. É uma forma de gozar dos nossos benefícios de acordos com nossa rede, que tem alíquota zero.  Além de fazer de Israel uma ponte para exportação aos EUA e à União Europeia, o Brasil também poderia ser um centro de comércio das nossas exportações, como um hub, servindo todos os países do Mercosul e outros com que o Brasil tem acordos comerciais. Ainda não há nada concreto, mas é uma ideia de parceria.

 

O crescimento econômico dos dois países tem mostrado uma situação interna melhor do que a visto na Europa e nos EUA. Brasil e Israel têm passado ao largo da crise?

Roy Nir: Não é que não sejamos afetados pela crise. Fomos, sim, de alguma forma, atingidos, mas de uma maneira mais leve. Estamos mais ou menos na mesma situação e os dois países vão crescer neste ano. Esse crescimento é um incentivo para que também aumentemos o volume de comércio. O comércio entre os dois países teve um crescimento até 2008 e caiu com a crise, mas se recuperou rápido. Em 2012, devemos chegar ao pico de 2008 e, nos próximos anos, vamos ultrapassá-lo, com certeza. Desde a visita do presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva, 2003-2010] a Israel, em 2007, nossa meta é a de triplicar o comércio bilateral até 2014.

Fonte: Missão Econômica de Israel no Brasil e AMCHAM 

 

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