Saiba como as pesquisas da Universidade Hebraica de Jerusalém vão impactar o mundo em que vivemos

Newsletter 07 Mar 2019

pablo

Medicina personalizada e segurança cibernética estão entre os destaques

Liane Gotlib Zaidler – Especial para a Câmara Brasil- Israel de Comercio e Indústria

Nascido no Uruguai, Pablo Kizelstein emigrou sozinho para Israel aos 24 anos. Atual diretor da Autoridade para Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade Hebraica de Jerusalém (UHJ) , ele esteve à frente de diversas colaborações mundiais com Universidades e empresas comerciais e  tem  uma longa trajetória  como gerente de projetos na área de Pesquisa & Desenvolvimento em várias áreas biotecnológicas. Ele nos conta com exclusividade sobre as pesquisas impactantes que estão sendo desenvolvidas na UHJ, que a credenciam entre uma das 100 melhores do mundo.

Como é seu trabalho junto a Universidade Hebraica de Jerusalém?

É um trabalho interessante, com muitos desafios. Sou  diretor da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade Hebraica de Jerusalém. Entre outras tarefas, destaco a de supervisionar o controle de todos os orçamentos dos pesquisadores da Universidade, o que equivale a cerca de 180 milhões de dólares por ano. Prestamos serviços e incentivamos os pesquisadores a se submeterem aos contratos competitivos de maior prestígio em todo o mundo.  Supervisionamos esse trabalho desde o seu ponto de partida, acompanhando os pesquisadores no controle de seu orçamento, por meio de relatórios aos patrocinadores. Coordeno uma equipe de 45 profissionais que, juntamente com os pesquisadores, colaboram no objetivo de excelência que a Universidade tem em se posicionar como uma das melhores do mundo. Além disso, mantenho relações estreitas com organizações governamentais israelenses e fundações internacionais que promovem e financiam pesquisas de maneira competitiva.

Quais as pesquisas mais recentes e impactantes que estão sendo desenvolvidas  atualmente na UHJ ? 

Um dos horizontes atuais da Universidade Hebraica de Jerusalém é o trabalho no desenvolvimento da medicina personalizada. Trata-se do desenvolvimento de um medicamento  que utiliza a informação dos genes, proteínas e meio ambiente da pessoa para prevenir, diagnosticar e tratar uma doença. Na medicina personalizada de precisão do câncer, informações específicas para o tumor de uma pessoa são usadas para facilitar o diagnóstico, planejar o tratamento, determinar se o tratamento é eficaz ou dar um prognóstico. Para isso, estamos trabalhando em conjunto com os melhores hospitais do país, unindo forças e experiências para o desenvolvimento dessa área. Outra das áreas de investigação em destaque é a da segurança cibernética. A Universidade Hebraica tem um Centro de Inovação em Segurança Cibernética que assinou uma parceria com a organização de pesquisa alemã Fraunhofer para a criação de um instituto para a aplicação da segurança cibernética em Israel. O HIPA (Accelerator Hessian Parceria israelense de Segurança Cibernética) reúne os melhores talentos em cibersegurança de Israel e da Alemanha para trabalharem juntos em projetos de segurança cibernética em áreas como tecnologias de rede, infra-estrutura de Internet e software de segurança. O objetivo geral é desencadear a criação de inovação e negócios em segurança cibernética nos dois países.

Como você enxerga a importância da ciência e da educação cientifica no futuro de um país?

Israel é reconhecido em todo o mundo por ser uma “start up nation”. Isso, graças ao seu contínuo progresso e desenvolvimento de novas tecnologias, não só pelo avanço do próprio país, mas do mundo. Isso enriquece o país, não apenas em termos de recursos, mas intelectualmente, e permite que ele avance e, em alguns casos, antecipe mudanças globais. Hoje em dia, no mundo tecnológico em que vivemos, um país que não avança tecnologicamente e que não inova, acaba tornando-se obsoleto.

Quais parcerias existem atualmente entre as instituições e empresas  brasileiras  e a Universidade Hebraica de Jerusalém?

A Universidade Hebraica tem um acordo com a FAPESP no Brasil, para o intercâmbio de pesquisadores e de cooperação entre os dois lados.Também assinamos acordos de cooperação com universidades de prestígio no Brasil, como a  Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  a Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o Insper (Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia) .Ao longo do ano, a Universidade recebe grupos de empresários, organizações e várias instituições educacionais que visitam o campus, com uma agenda especialmente adaptada às necessidades e solicitações de cada um dos grupos. Da mesma forma, a universidade está em contacto permanente com a Câmara de Comércio Brasil – Israel através do qual também recebe personalidades que visitam e estudam o modelo de empreendedorismo e também a  Yissum,  responsável pela transferência de tecnologia de negócios da UHJ. Também acolhemos todos os anos  estudantes brasileiros que vem para Israel de forma permanente ou temporariamente para estudos de pós-graduação.

O novo governo tem dado sinais de que pretende fazer parcerias com Israel. Como você enxerga essa aproximação?

Depois de vários anos de governos que se recusaram a dialogar com Israel, acredito que com o novo governo uma oportunidade vai se abrir  para ambos os países, o que por sua vez  também abre as portas para empresas de ambos os lados colaborarem e investirem. A visita ao Brasil do nosso primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, e seu encontro com o presidente Jair Bolsonaro, mostrou que o Brasil é a favor de uma abordagem mais forte e mais próxima.

O que Brasil e Israel podem ganhar em uma troca de experiências na área de ciência e tecnologia?

O Brasil é um país com muitos recursos naturais e Israel tem a experiência em explorá-los. O trabalho em conjunto pode ser interessante e gerar projetos que favoreçam o avanço da ciência e tecnologia entre os dois países. Um exemplo disso é o caso da água. Israel é líder mundial em reciclagem de efluentes, algo que atualmente pode beneficiar o Brasil, um país que possui grande quantidade de água, mas infelizmente não há otimização de uso.

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