Startup israelense-brasileira cria um sistema que mostra risco ao coronavírus

Vários coronavírus circulam em todo o mundo e infectam constantemente seres humanos, o que normalmente causava apenas doenças respiratórias leves. No entanto, estamos testemunhando a disseminação mundial de um novo coronavírus com milhares de casos.

A startup FullDNA, de origem israelense, que atua com tecnologia genética utilizando inteligência artificial, está sendo acelerada também no Brasil pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) para trazer inovações ao mercado brasileiro. Ela designou, há poucos meses, uma equipe de pesquisadores para desenvolver um algoritmo capaz de identificar as suscetibilidades de cada pessoa em desenvolver a doença.

Como resultado criaram um sistema que interpreta dados genéticos e mostra o índice de suscetibilidade de cada pessoa. Com isso a startup espera conscientizar aqueles que possuem uma maior suscetibilidade para que possam adotar as precauções necessárias de acordo com seu risco. O teste que pode ser realizado pela FullDNA, também permitirá que pessoas tragam seus resultados genéticos de testes de genealogia realizados por outras empresas para obter seu relatório rapidamente. “O coronavírus é uma pandemia com mortalidade. Temos muitas tecnologias e este é o momento de colocá-las mais ainda em funcionamento para benefício da humanidade”, comentou o Dr. Eitan Golani, diretor da FullDNA.

A tecnologia adotada se baseia em vários estudos que demonstraram que os receptores ACE2 são o ponto de entrada nas células humanas para alguns coronavírus, incluindo o COVID-19.

Primeiramente identificaram como o vírus faz para contaminar os seres humanos. O vírus precisa de um receptor produzido pelos seres humanos que fica disponível nas células. Este receptor se chama ACE2 e tem sua expressão aumentada ou diminuída por determinação do DNA de cada pessoa, uma vez que o DNA determina tudo aquilo que será produzido por nossos corpos. Algumas pessoas possuem estas enzimas com maior expressão, outras com menor expressão. Ter maior expressão significa que estas enzimas ACE2 irão funcionar mais e, portanto, serão portas de entradas mais efetivas ao vírus. “É como se fossem boquinhas abertas e o vírus precisa exatamente delas para se encaixar e a ACE2 e está mais disponível nas vias respiratórias”, comenta o Dr. Golani. Apesar disso, o vírus entrado não significa que a pessoa ficará doente. Para isso é necessária a sua ativação e isso se dá por uma outra enzima chamada serina protease transmembrana tipo II (TMPRSS2). Da mesma forma que a ACE2, a TMPRSS2 também possui seu grau de expressão determinado pelo DNA. Pessoas com maior expressão de variantes desta enzima podem ativar mais facilmente o vírus, após este ter entrado. A combinação de entrada com ativação é o ponto chave do algoritmo da startup, que determina o quanto uma determinada pessoa pode ser infectada e ficar doente em comparação a outras.

O teste não serve como diagnóstico, mas tem caráter preditivo e o resultado deve ser analisado por um médico.

Com estes resultados a startup está estudando o uso de bloqueadores de TMPRSS2 que teoricamente podem ser a solução para o coronavírus.

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